Jornal A Nova Cruzada de 1916
O jornal paraisense A Nova Cruzada foi lançado no início de 1916 sob a direção do jornalista e escritor Antonio Celestino. Anunciado aos quatro ventos como o órgão defensor da bandeira separatista da região, o periódico conseguiu acirrar o debate político na cidade, desagradando aos defensores da política do café com leite e despertando certo interesse dos eleitores do Partido Republicano Municipal, liderado por José Honório Vieira, o Rei do Café de Minas.
Antonio Celestino nasceu no arraial da Babilônia, entre a Serra da Canastra e o Rio Grande — território que hoje pertence ao município de Delfinópolis e que, no passado, integrou o município de Passos. Ele estudou no curso preparatório para ingressar na Faculdade de Direito de São Paulo, mas optou pelo jornalismo. No final da década de 1890, lançou o romance Padre Euzébio, republicado depois pela Editora Monteiro Lobato. Mais tarde, retornou às suas origens para assumir a direção do jornal Comércio e Lavoura, de Passos, porta-voz da corrente política lavourista, cuja história envolve o episódio da Matança no Fórum (1909), tema da tese de doutorado do historiador Antonio Theodoro Grilo.
No mesmo ano em que lançou o jornal separatista — evento noticiado na grande imprensa do país —, Celestino publicou Turbilhão de Sangue, um dos fascículos hoje inseridos no livro Os Contratadores da Morte, publicado pela Editora da Fundação de Ensino Superior de Passos. A revista carioca O Malho registrou o acontecimento com uma charge do jornalista entregando um exemplar do jornal ao então presidente de Minas Gerais, Delfim Moreira. Para finalizar, em 1921, Celestino era o redator de outro título histórico da imprensa paraisense: o jornal Nova Era, impresso na tipografia do comendador José Honório Vieira.
Luiz Carlos Pais
Enviado por Luiz Carlos Pais em 30/08/2026