Luiz Carlos Pais
Tudo vale a pena se a alma não é pequena. (Fernando Pessoa)
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Revista Sul-Mineira de 1915
Lançada em São Sebastião do Paraíso, no Sudoeste Mineiro, no final de 1915, a Revista Sul-Mineira esteve sob a direção do advogado Antônio Villela de Castro, formado pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1897. Além de atuar na imprensa local, Villela de Castro foi juiz municipal e integrou o corpo docente do Curso Normal do Ginásio Paraisense, criado pelo padre Benatti. Anos antes, ele atuara como redator do jornal O Libertas, conforme registra José de Souza Soares no livro São Sebastião do Paraíso e sua História.
A circulação da revista alcançou relevância regional, com registros de distribuição em Passos, Poços de Caldas, Guaxupé, Monte Santo de Minas, Guaranésia, Jacuí e São Tomás de Aquino, entre outras cidades. Em 4 de outubro de 1915, o Correio Paulistano destacou a primorosa publicação paraisense. Sua terceira edição circulou em janeiro de 1916, com o anúncio de que o próximo número sairia em meados do mês seguinte. A imprensa nacional também registrou a repercussão da revista e as viagens de seu diretor para promover o projeto em municípios vizinhos.
No editorial de estreia, a revista apresentou um panorama histórico, econômico, político e estatístico de Paraíso, além de destacar as autoridades constituídas. O município era apontado como o mais importante da região, impulsionado por suas riquezas minerais — jazidas de ferro, níquel e calcário para a fabricação de cimento — e por sucessivos recordes na produção anual de café, estimada em um milhão e quatrocentas mil arrobas (equivalente a 350 mil sacas de 60 quilos).
Nesse clima de euforia, a cidade contava com três jornais: O Libertas, dirigido por Souza Soares; Tribuna do Sul, sob o comando de Arnaldo Lemos; e Correio do Sul, do jovem Napoleão Joele. A região vivia sua Belle Époque, marcada por: cafeicultura exuberante, imprensa atuante, duas ferrovias recém-inauguradas, expansão da educação, inauguração de lojas, bombonieres e cinemas. No entanto, o cenário estava prestes a mudar com a crise na exportação de café, impulsionada pela deflagração da Primeira Guerra Mundial (1914–1918), no ano anterior ao lançamento da revista que ficou na história da imprensa paraisense.
Luiz Carlos Pais
Enviado por Luiz Carlos Pais em 17/08/2026
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