Luiz Carlos Pais
Tudo vale a pena se a alma não é pequena. (Fernando Pessoa)
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Textos
Jornalista e Escritor Mineiro Antonio Celestino
Antonio Celestino nasceu no município de Passos, Minas Gerais, no chapadão da Babilônia, próximo à Serra da Canastra e à margem direita do Rio Grande. Ainda na infância, revelou verdadeira paixão pelo mundo literário e sonhou em seguir a carreira jurídica. Na última década do século XIX, mudou-se para São Paulo para concluir os estudos secundários. Foi o início de sua imersão no mundo das letras, marcada por um olhar crítico contra o mandonismo político da época, impulsionando sua trajetória combativa na imprensa paulista, carioca e sul mineira.
Sua formação humanista estruturou-se na década de 1890, quando frequentou o curso preparatório oficial anexo à Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Nesse período, iniciou sua colaboração no Diário Popular e em outros periódicos de São Paulo, publicando crônicas e folhetins. No final da mesma década, lançou seu romance "Padre Euzébio". Em 11 de novembro de 1897, o Diário Popular anunciou a obra à venda na Livraria do Povo, feito registrado também em jornais de Sabará, Oliveiras e Juiz de Fora. Décadas mais tarde, em 1920, o romance ganharia um relançamento pela Editora de Monteiro Lobato.
A recepção crítica foi mista, mas entusiasta. O jornal carioca Cidade do Rio publicou, em novembro de 1897: “Antonio Celestino estreou maravilhosamente, embora o Padre Euzébio não seja um livro impecável; ressente-se de alguns defeitos, percebe-se algumas vezes a inexperiência do autor. Estes senões, porém, desaparecem em face de bem imaginadas e vividas páginas, ante as descrições cuidadosas, em que a imaginação ardente do romancista comunica ao leitor todas as sensações.” Apesar dos elogios, a crítica apontou como ponto fraco a inclusão desnecessária de termos considerados inadequados para o ambiente familiar da época.
Durante sua temporada no Rio de Janeiro, Celestino aproximou-se do político gaúcho Pinheiro Machado e integrou as redações de A Cidade do Rio e A Imprensa, onde publicou artigos vibrantes e teses polêmicas que lhe conferiram a fama de um jornalista altivo e combativo. O apelo de sua obra literária também marcou a capital federal: em 26 de outubro de 1897, o Cidade do Rio estampou um anúncio publicitário de Padre Euzébio descrevendo-o como um retrato de "paixões lascivas de um sacerdote ilustrado, levantando escândalos num meio devoto".
De volta ao Sudoeste Mineiro em 1898, Celestino fixou residência em Passos e assumiu a direção de A Gazeta de Passos. Ficou conhecido por seus textos contundentes de denúncia contra o coronelismo e as estruturas de violência — cenário que, décadas depois, inspiraria a pesquisa de Mário Palmério para a composição do clássico romance Chapadão do Bugre.
Sua atuação jornalística expandiu-se em 1901 com a fundação de Comércio e Lavoura, periódico passense que dirigiu por cerca de dois anos. O jornal posicionou-se como o órgão do movimento lavourista, corrente com forte expressão em Passos e Uberaba que defendia a centralidade da agricultura e da pecuária na modernização do país. Os lavouristas desafiaram a "política do café com leite" da Primeira República. O estilo acirrado de Celestino permaneceu evidente em registros posteriores, a exemplo de sua intervenção pública noticiada pelo jornal carioca A Imprensa em dezembro de 1908, quando discursou em uma passeata cívica em Passos para celebrar a indicação de Wenceslau Braz ao governo mineiro.
Logo após os episódios de violência conhecidos como a Matança no Fórum de Passos (1909), Celestino atuou como advogado prático na comarca local. Anos mais tarde, em 1915, assumiu a direção do jornal A Vanguarda, em Santa Rita de Cássia. No ano seguinte, lançou A Nova Cruzada em São Sebastião do Paraíso, periódico anunciado como órgão separatista — proposta que acirrou os ânimos políticos regionais. Ainda em Paraíso, em 1921, atuou como redator do jornal Nova Era, órgão do Partido Republicano Municipal sob o comando do comendador José Honório Vieira
Luiz Carlos Pais
Enviado por Luiz Carlos Pais em 14/08/2026
Alterado em 30/08/2026
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