Luiz Carlos Pais
Tudo vale a pena se a alma não é pequena. (Fernando Pessoa)
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Jornal do Professor Gedor Silveira (1905)
Em outubro de 1905, os moradores de São Sebastião do Paraíso, Sudoeste Mineiro, acompanharam o lançamento do jornal O Paraisense, sob a direção do professor Gedor Silveira. Naquele momento estava sendo publicado, há dois anos, o Jornal do Povo, do qual foi redator Antônio Campos do Amaral. O ilustre professor Gedor Silveira e sua esposa professora Luiza Aurora da Silveira (Dona Luizinha) estavam regendo aulas primárias públicas estaduais e, uma década depois, passaram a integrar o primeiro corpo docente do Grupo Escolar Campos do Amaral. O referido mestre estava iniciando sua relevante contribuição para a promoção da cultura geral da cidade, incluindo a ampliação da imprensa local.

Com base no livro de história escritos por José de Souza Soares (1945), os colaboradores desse periódico eram jovens literatos, políticos e cronistas que retratavam os principais acontecimentos da cidade. Entre os autores que publicaram nesse jornal, estava o inspirado poeta José da Mata, que infelizmente faleceu com pouco mais de vinte anos. Um diferencial desse periódico – que não deve ser confundido por outro de mesmo título lançado na década de 1950 – foi o fato de ter contribuído na diversificação de olhares das questões divergentes em relação ao culto católico.

O professor Gedor Silveira foi um dos pioneiros no estudo e difusão das obras kardecistas na cidade, mantendo um grupo regular de cidadãos interessados nessa orientação de vida espiritual. No ano seguinte do lançamento de O Paraisense, o ambiente cultural da idade foi ampliado com a chegada do padre Aristóteles Aristodemus Benatti que assumiu as funções de pároco da Matriz. Esse foi um momento importante na história local da educação escolar porque, em 1907, foi inaugurado o Ginásio Paraisense, sob a direção do referido pároco.

A economia cafeeira estava ampliando os horizontes culturais da cidade, que passou a receber a visita regular de grupos teatrais de São Paulo e do Rio de Janeiro, assim como de grandes companhias circenses. Nesse sentido, o jornal dirigido pelo professor Gedor acompanhou, por poucos anos, o florescimento cultural da cidade. Na década seguinte, entraria em cena a presença marcante do jornalista João Borges de Moura (Jobormoura), pai dos também jornalistas Conceição Borges Ferreira (Sãozinha) e Anibal Deocleciano Borges (Biba), saudosos protagonistas da história da imprensa paraisense.
Luiz Carlos Pais
Enviado por Luiz Carlos Pais em 03/08/2026
Alterado em 10/08/2026
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