História da Imprensa Paraisense: Jornal do Povo (1903)
No dia 19 de julho de 1903, foi lançado um dos mais antigos órgãos da imprensa de São Sebastião do Paraíso (MG), o Jornal do Povo. É possível que esse tenha sido o segundo jornal paraisense. As fontes que acessamos, até o momento, não fazem menção a outro periódico lançado nos dois anos anteriores, ou seja, após o lançamento do pioneiro A voz do Paraíso, ocorrido em 30 de maio de 1901. O retorno histórico é pontuado de desafio porque as fontes primárias e secundárias são acessados em doses homeopáticas. Desse modo, quanto à trajetória do Jornal do Povo, destacamos que era um semanário de propriedade da firma Silva, Neves & Amaral, sob a direção inicial de Manuel Venâncio Vieira da Silva, influente político e detentor de patente de capitão da extinta Guarda Nacional. Sobre a sua trajetória, localizamos no jornal O Estado de São Paulo, edição de 20 de setembro de 1925, a ocorrência do seu falecimento no dia anterior, na Capital Paulista, registrando que o Capitão Manuel Venâncio Vieira da Silva era veterano da Guerra do Paraguai e cidadão muito estimado na política de São Sebastião do Paraíso, Cajuru e região.
De acordo com José de Souza Soares, na obra clássica Notícia Histórica de São Sebastião do Paraíso, publicada em 1922, em janeiro de 1903, Francisco Ferreira Godinho e o capitão Manuel Venâncio Vieira da Silva foram eleitos, respectivamente, presidente e vice-presidente da Câmara Municipal. Foi nesse contexto que o Jornal do Povo começou sua trajetória na imprensa paraisense, com algumas interrupções de publicação e mudanças de direção em função do apoio político. Um dos sócios do referido semanário era o deputado José Luiz Campos do Amaral Júnior. Dois anos após o seu lançamento, o jornal passou a ser de propriedade da firma Amaral & Amaral, conforme publicou o Almanak Laemmert do Rio de Janeiro de 1906, destacando que a direção era exercida pelo jornalista Antônio Campos do Amaral.
Um dos eventos registrados pelo Jornal do Povo foi a inauguração da Estação Ferroviária da Guardinha, ocorrida em 17 de setembro de 1910, momento de desenvolvimento da região devido à chegada da Estrada de Ferro São Paulo e Minas. A cidade estava começando a viver a sua Bela Época, perceptível no florescimento econômico, cultural e social. No início de 1907, foi inaugurado o Ginásio Paraisense, fundado pelo cônego Aristóteles Aristodemus Benatti. O importante evento da inauguração da Estação de Guardinha foi coberto pelo jornalista Antônio Campos do Amaral, que pronunciou discurso destacando o significado do fato para o progresso da região. Foi registrado que três bandas de música da região compareceram para abrilhantar o grande momento. Para finalizar, cumpre observar que, até o final da primeira década do século XX, ainda não havia energia elétrica em Paraíso. Assim, a máquina mecânica usada na impressão tipográfica (prelo) era movida à manivela e pela persistência e garra de todos os pioneiros da imprensa paraisense daquele tempo.
Luiz Carlos Pais
Enviado por Luiz Carlos Pais em 03/08/2026