História da Imprensa Paraisense: Jornal A Chaleira de 1911
A imprensa de São Sebastião do Paraíso (MG) estava completando dez anos de existência, em 1911, quando foi lançado o jornal de pequeno porte A Chaleira, sugestivo título publicado pelo adolescente João Borges de Moura. Com 16 anos de idade, o futuro jornalista estava dando os passos iniciais de sua longa carreira de quase meio século de atividades na imprensa. Anunciado como jornal crítico e humorístico, A Chaleira esquentou o interesse social pelo progresso da cidade que estava iniciando uma importante fase de desenvolvimento. No mesmo ano, foi inaugurada a Estrada de Ferro São Paulo e Minas. As fazendas de café estavam batendo sucessivos recordes de produção, cuja exportação para a Europa somente seria afetada, três anos depois, com o início da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918).
Sobre a publicação de jornais de pequeno porte, José de Souza Soares, no livro São Sebastião do Paraíso e sua História (1945), observa que a cidade contou com vários periódicos dessa natureza, alguns deles tiveram vida efêmera e outros persistiram por alguns anos. Durante as três primeiras décadas do século XX, é possível relacionar alguns desses pequenos jornais publicados por cidadãos interessados pela vida cultural da cidade. A lista desses jornais inclui: O Pau, A Lágrima, O Binóculo, O Grito, A Chaleira, A Rua, entres outros.
Entre os jornais estudantis de Paraíso está ainda o Chrasleston, lançado pelo então jovem José Soares do Amaral (Zezé Amaral), nascido em 1908, um dos protagonistas da História da Rádio Difusora Paraisense (ZYA-4) e arrojado empresário que tanto contribuiu para o desenvolvimento econômico e social da cidade. Pesquisadores da história da imprensa ressaltam a importância desses “pequenos grandes” periódicos, incluindo os pasquins, folhetins, manuscritos até chegar, nos anos 1970, na imprensa alternativa e nos jornais mimeografados.
A importância de registrar a publicação de A Chaleira deve-se ao seu significado simbólico, pois estava iniciando um novo momento da história da imprensa local. A base econômica do município ampliou a dimensão profissional da atividade jornalística e sugiram novas tipografias e jornais cuja publicação passou a ser registrada em grandes jornais do país. É oportuno mencionar que João Borges de Moura, que costumava assinar suas crônicas com o pseudônimo João Daqui, foi um dos mais brilhantes jornalistas da cidade, no período de 1911 até o seu falecimento, ocorrido no dia 31 de julho de 1960, quando contava com 65 anos de idade e estava na direção de O Cruzeiro do Sul, lançado em 1943.
Além do mais, João Borges de Moura foi patriarca de uma família de jornalistas. Era irmão do jornalista Epaminondas Borges, pai da jornalista e historiadora Conceição Benedita Borges Ferreira (Sãozinha), pai do jornalista Anibal Deocleciano Borges (Biba) e sogro do jornalista Jacinto Guimarães Ferreira. Por esses e outros motivos, sua biografia requer várias páginas e capítulos, muito além do objetivo desta crônica histórica que é para ser lida em alguns minutos.
Luiz Carlos Pais
Enviado por Luiz Carlos Pais em 03/08/2026