Jornalista João Borges de Moura
Natural de São Sebastião do Paraíso, Minas Gerais, João Borges de Moura nasceu no seio de uma grande família que participou ativamente da constituição histórica da cidade, desde o final do Segundo Reinado. Foi tipógrafo, jornalista, músico, literato e cidadão atuante na sociedade paraisense por mais de quatro décadas. Era proprietário das Oficinas Gráficas Jobormoura Editora, instaladas num prédio da Rua Pimenta de Pádua, no centro da cidade.
Em sua editora foi publicado o livro de contos Coluna Partida, do professor Antônio Roque Martins, em 1936, entre outras obras de autores da terra. Membros das famílias Borges e Moura foram vereadores na terceira Câmara Municipal de São Sebastião do Paraíso, que tomou posse em 7 de janeiro de 1878. José Dias de Moura exercia as funções de Juiz de Paz em 1895, ano do nascimento do futuro jornalista.
No transcorrer de sua trajetória no jornalismo de São Sebastião do Paraíso, João Borges de Moura redigiu crônicas sobre os mais diversos temas da sociedade, envolvendo assuntos políticos, religiosos, esportes e desafios para o progresso da cidade, assinando suas matérias com o pseudônimo de João D’Aqui. Escreveu obituários, como o do coronel José Luiz Campos do Amaral Júnior, falecido em São Sebastião do Paraíso, em 5 de outubro de 1913, quando exercia mandato de deputado estadual. O seu texto jornalístico era redigido em linguagem clara e direta, com poderoso canal de comunicação com o leitor.
Enfrentou momentos difíceis na direção de seus jornais durante o Estado Novo, quando foi criado o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), no Governo Vargas, órgão que exerceu severa censura sobre os órgãos de imprensa e outras instituições, além de difundir a propaganda do governo.
Conforme a memória histórica escrita por Souza Soares, em toda a história da imprensa paraisense apenas O Cruzeiro do Sul, teve a sua publicação interditada por ordem dos agentes do DIP que atuavam em Minas Gerais, em razão de alguma matéria que desagradara à política getulista. O referido semanário foi lançado em 1943, sob a direção de João Borges Campos, redação de sua filha professora Conceição Benedita de Moura Ferreira (Sãozinha) e do professor Ari de Lima. Logo após a interdição de O Cruzeiro do Sul, João Borges de Moura e o escritor Ari de Lima foram aconselhados a viajaram à Belo Horizonte, onde poderiam falar pessoalmente com o governador Benedito Valadares, que teria poderes para liberar a continuidade do jornal.
Depois de avaliar a situação, resolveram viajar direto ao Rio de Janeiro para resolver o embargo junto ao DIP, requerendo autorização para o retorno da publicação. No dia 14 de janeiro de 1944, o Diário de Notícias, do Rio de Janeiro, noticiou que o diretor e o redator de O Cruzeiro do Sul estavam na Capital para providenciar o registro do periódico paraisense junto ao referido órgão de fiscalização da imprensa. Dias depois, o jornal voltou a ser publicado, continuando sua trajetória por mais de quatro décadas.
O primeiro jornal lançado pelo então adolescente João Borges de Moura, quando tinha apenas 16 anos de idade, foi A Chaleira, de pequeno formato e anunciado como órgão literário e de crítica social, publicado em 1911. Como o próprio título sinaliza, o jornal estimulou o interesse por essa vertente da imprensa que nasce dos ideais da juventude e sem o suporte de legendas políticas, mesmo assim disposta a apontar as carências da cidade daquele tempo. Sua curta trajetória, guardada nas anotações históricas do município, foi rememorada por sua filha, a jornalista Conceição Benedita Moura Ferreira (Sãozinha), que durante anos escreveu para o Jornal do Sudoeste, bissemanário que circula há pouco mais de quatro décadas em São Sebastião do Paraíso.
Na sequência, João Borges de Moura lançou O Jornal (1913), que publicou um amplo e detalhado obituário do deputado José Luiz Campos do Amaral Júnior, falecido naquele ano. Publicou ainda os jornais Libello do Povo, Diário da Tarde e O Cruzeiro do Sul, um dos periódicos com maior tempo de circulação da cidade. Seu inestimável trabalho contribuiu muito para o registro da história paraisense. João Borges de Moura faleceu em 31 de julho de 1960, aos 65 anos de idade, momento em que a direção de O Cruzeiro do Sul passou para o seu filho, o jornalista Anibal Deocleciano Borges (Biba), iniciando mais um longo período na história da imprensa paraisense.
Luiz Carlos Pais
Enviado por Luiz Carlos Pais em 31/07/2026
Alterado em 31/07/2026