Luiz Carlos Pais
Tudo vale a pena se a alma não é pequena. (Fernando Pessoa)
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Houve um tempo distante, em que as malas postais eram transportadas em lombo de animal pelos estafetas. Tempo das cartas manuscritas e documentos em papel. Profissional destemido e confiável. Dele dependia a certeza de que a mensagem chegaria ao destino. Guardiões de sigilos protegidos em malas de couro. Talvez naquele tempo talvez fosse muito difícil imaginar que um dia seria como hoje, da comunicação quase instantânea, via internet. Naquele tempo havia o risco dos bandos de salteadores que, de espreita, poderia atacar o estafeta. Hoje, quem seriam os salteadores que ficam de espreita na internet, em busca de dinheiro fácil? Se a rapidez tem suas vantagens, o tempo de outrora não corria. No final do século XIX e início do século seguinte, a linha que unia o anseio de uma saudade ao abraço de uma resposta dependia dos estafetas. Montados no lombo de animais, eles carregavam o sigilo nas malas postais. Não havia tempo ruim que os fizesse parar. Sob o sol de rachar o solo ou debaixo da chuva, atravessaram trilhas até o cair da noite, onde faziam pouso e assim seguir adiante na madrugada seguinte. Aqui na vila de Campo Grande, daquele tempo do Mato Grosso, durante anos afora havia um estafeta que percorria o trecho até Aquidauana, mais de 20 léguas rompidas em três dias de marcha firme. Atravessar os sertões era mais do que ofício. Era uma missão de bravura a serviço da comunicação da época. Cada poeira levantada na estrada era o prenúncio de uma notícia que chegava, e a marcha firme desses animais era o próprio pulsar de um país que, aos poucos, aprendia a encurtar suas distâncias através do silêncio das estradas boiadeira. Hoje, muita coisa vai pelos aplicativos de mensagem da internet, se possível do modelo que não deixa rastro para evitar ataques de salteadores.

 

Luiz Carlos Pais
Enviado por Luiz Carlos Pais em 02/07/2026
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