Professor Gedor Soares da Silveira (1874 – 1920)
Este artigo registra a presença do mestre-escola Gedor Soares da Silveira na história da educação de São Sebastião do Paraíso, MG, nos primeiros anos do século XX, quando estava em curso os movimentos iniciais de expansão da oferta da instrução primária popular. Os ideais republicanos estava criando os primeiros Grupos Escolares em diferentes estados e o polo cafeeiro do Sudoeste Mineiro aspirava acompanhar esse momento histórico. É nesse quadro histórico mais amplo que o professor Gedor Silveira, como era mais conhecido, participou ativamente da expansão cultural da cidade.
Natural de Montes Claros, Norte de Minas, Gedor Soares da Silveira nasceu aos 15 de julho de 1874 e faleceu em São Sebastião do Paraíso, com apenas 46 anos. Em 1899, recém-casado com a professora normalista Luiza Aurora de Aguiar Silveira (Dona Luizinha), foi nomeado pelo governo estadual para exercer o magistério primário público na cidade, onde assumiu a segunda cadeira pública de instrução primária para meninos, quando na primeira cadeira estava exercendo o magistério o professor Ângelo de Souza Nogueira. Antes da criação dos grupos escolares, as aulas públicas eram ministradas na casa do professor. Assim, na residência do jovem casal de educadores, funcionavam uma classe para meninos e outra para meninas, essa regida pela Dona Luizinha. São informações publicadas no jornal Minas Gerais, edição do dia 3 de Dezembro de 1899.
Esse mesmo jornal publicou edital, declarando vagas a cadeira de ensino primário de São Paulo do Muriaé do Rio Pardo, por não ter assumido o cargo o professor Gedor Soares da Silveira, designado para reger aquela cadeira. O mestre tinha novos planos para sua vida: morar em Paraíso, com sua esposa, onde se integrou à sociedade local e se tornou em cidadão atuante e filantropo. Foi diretor do Grupo Escolar Campos do Amaral, de 1916 a 1920, ano do seu falecimento, quando foi substituído interinamente pelo professor Ângelo. Retornando a esse tempo o corpo docente do Grupo era formado pelos seguintes professores Ângelo Souza Nogueira, José Emygdio de Lima e Gedor Silveira e pelas professoras Maria Leopoldina da Silva Lisboa, Hercília Soares, Luiza Aurora de Aguiar Silveira e Palmestina O. Bueno.
O casal teve quatro filhos nascidos em Paraíso. Os dois também exerceram o magistério nos primeiros anos de funcionamento do Ginásio Paraisense. A princípio, nas aulas do curso preparatório para o início do curso ginasial, instalado em fevereiro de 1907, e, posteriormente, nas aulas do curso normal, instalado em 1910, sob a liderança do padre Aristóteles Aristodemus Benatti. Três anos depois, esse curso normal, já equiparado ao Curso Normal Modelo de Belo Horizonte, foi transferido para o poder municipal. Nos meados da década de 1920, o mesmo curso foi transferido para o Colégio Paula Frassinetti das Irmãs Doroteias. O início dessa história de formação de professores em Paraíso contou com a competente atuação do referido casal de educadores.
A memória do professor Gedor Silveira foi homenageada com a atribuição de seu nome a um grande hospital psiquiátrico de São Sebastião do Paraíso, que foi referência na região, recentemente, desativado em função da política nacional antimanicomial. O professor Gedor tinha patente de capitão da Guarda Nacional do 356º Batalhão de Infantaria, baseada na Comarca de São Sebatião do Paraíso, conforme foi publicado no Diário Oficial da União, 23 de novembro de 1906.
Quando foi implantada a reforma educacional do Ministro Rivadávia da Cunha Correia, em 1911, sancionada pelo presidente Hermes da Fonseca, o professor Gedor Silveira enviou ofício de felicitações ao Ministro, conforme foi noticiado na imprensa nacional. Na correspondência, o educador afirma que, naquele ano, estava completando 15 anos de experiência no magistério, tendo iniciado o ofício em 1896 e era professor do Ginásio Paraisense, expressando sua concordância pelas medidas tomadas, há mais de um século, para reorientar o ensino secundário no país.
A respeito ele se expressou com as seguintes palavras: É com indizível satisfação que venho felicitar Vossa Excelência pela reforma justa, necessária e excelente, que o espírito patriótico que acaba de dar ao ensino secundário e superior em nosso país. Disse ainda que em Paraíso, a reforma tinha causado a melhor impressão. Essa reforma instituiu o exame vestibular para o ingresso no ensino superior, que naquele momento foi um avanço em relação aos antigos exames preparatórios. Esses eram exames preparatórios eram realizados nos próprios estabelecimentos de ensino secundário. A aprovação nesses exames permitia o ingresso em cursos superiores, sendo que as instituições de ensino secundário não estavam sob o “controle” direto das academias de ensino superior. Em torno da questão estavam as correlações de poder estabelecidas pelos diferentes níveis da educação escolar. [Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, 16 de Abril de 1911, p. 6.]
Luiz Carlos Pais
Enviado por Luiz Carlos Pais em 24/06/2026