Gato de Rua
Estranho! Tenho pensado muito nos gatos de rua. O que será que essa imagem quer dizer? Faço essa reflexão porque não sou muito agraciado pela virtude de prestar atenção nos moradores de rua. Mas tenho dúvidas. Sinto uma indignação profunda quando vejo pessoas, gatos e cachorros abandonados. Posso até estar tratando dos meus conflitos internos. De repente, minha vontade de falar dos gatos de rua é apenas uma imagem. Descendentes da grande família dos felinos, hoje estão pelos quatro cantos do mundo. Alguns têm pelos exuberantes, outros são malhados, mas sempre discretos e de aguçada visão noturna, assim como audição e olfato dos melhores. Além do mais têm o corpo flexível, sete vidas e unhas retráteis para atacar na hora certa, quando for preciso se defender. São também curiosos. Mas os gatos de rua talvez sejam mais espertos, flexíveis e com os os sentidos mais acurados do que aqueles que moram no conforto de um lar. Mas que tristeza é essa da discriminação que existe dos gratos pretos, pois é extremamente raro deles serem adotados. Engraçado, por um lado, eles têm a agressividade dos carnívoros e, por outro, têm a serenidade dos veganos. Isso parece ser uma coisa contraditória, mas expressa nada mais do que conflitos internos do indivíduo. Será que os gatos de rua simbolizam as milhares de pessoas que estão vivendo sem proteção alguma, sem o arquétipo do amparo maternal ou do pão nosso de cada dia. Os gatos de ruas moram em qualquer lugar, menos em casas, apartamentos ou mansões. Na minha caminhada matinal, quase todos os dias, passo em frente a uma casa de uma moradora que suponho ser amorosa com os animais. Ela coloca na calçada uma bandeja simples com três vasilhas limpas: com água, leite e ração para gatos. isso é feito com uma regularidade assustadora. Aqui, não me refiro aos hábitos daquela senhora, mas às observações psicanalíticas de quem escreve sobre gatos de rua. Existem também os cachorros de rua. Alguns deles têm a sorte de cruzar com o sentimento humano. Pessoas pessoas generosa até constroem casinhas na calçada para abrigar esses pobres caninos abandonados ao relento. Outros, de coração enrijecido, não se deixam domar por esse carinho e preferem caminhar sem rumo pelas estradas. Nos últimos anos, aqui na minha cidade, está cada vez mais comum encontrar araras, pássaros e capivaras que outrora moravam nas matas que foram destruídas pelo inconsciente devaneio de dominar a natureza. Até as onças estão voltando para as ruas da cidade. Será que nos primitivos tempos havia gatos de rua? Ando pensando sobre essas questões tão profanas, talvez para tentar compreender um pouco mais sobre o desafio de integrar os conflitos internos do ser humano.
Luiz Carlos Pais
Enviado por Luiz Carlos Pais em 20/01/2026
Alterado em 20/01/2026