Luiz Carlos Pais
Tudo vale a pena se a alma não é pequena. (Fernando Pessoa)
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José Aureliano de Paiva Coutinho
Um ano após a criação do município de São Sebastião do Paraíso, Sudoeste Mineiro, pela lei provincial no 1641, de 13 de setembro de 1870, tomou posse a primeira câmara municipal, sob a presidência de José Aureliano de Paiva Coutinho. Como previa a legislação, assumiu as funções de agente executivo (prefeito), participando assim dos momentos iniciais do poder executivo e legislativo municipal.  O município foi criado por transferência da sede do município de Jacuí, berço geográfico da região. A  transferência da sede do município desagradou algumas autoridades de Jacuí, porque viram o município ser rebaixado à categoria de distrito vinculado a um novo centro político administrativo. Em razão das divergências geradas pela referida lei,  foi necessário passar quase um ano para ocorrer a sua efetiva aplicação.

O termo de instauração da vila de São Sebastião do Paraíso foi  redigido e assinado, às 14 horas, do dia 28 de agosto de 1871, em cerimônia realizada em um sobrado localizado na rua Pimenta de Pádua, ao lado da Matriz, cedido pelo seu proprietário, fazendeiro José Theodoro de Souza, chefe político e membro do diretório local do Partido Conservador.  Esse prédio foi cedido para sediar a câmara e a cadeia pública, espaços necessários para a instauração da sede do município. Depois, esse  prédio foi adquirido pelo fazendeiro Thomé Pimenta de Pádua.

Iniciava-se então uma nova fase da história paraisense, tendo entre os seus principais protagonistas José Aureliano de Paiva Coutinho, vice-presidente da antiga câmara municipal de Jacuí. Conhecedor da legislação, não teve dúvidas em divergir da posição assumida por João Baptista Carvalhaes, seu sogro e presidente daquela câmara, bem como por outras autoridades de Jacuí que se recusaram aceitar a inversão do estatuto de sede municipal para distrito.  José Aureliano de Paiva Coutinho foi acompanhado por  João Baptista Teixeira, que havia exercido o cargo de secretário da câmara de Jacuí, que, anos depois, assumiria o cargo de escrivão de órfãos da comarca criada no início do período republicano.

Em São Sebastião do Paraíso, José Aureliano exerceu a profissão de advogado prático (rábula) .  Mesmo sem ter cursado uma faculdade de Direito, tinha o conhecimento exigido para exercer advocacia em nível da primeira entrância. Estava autorizado a exercer essa profissão, por ter recebido uma “carta de provisão” concedida por autoridades da administração da justiça provincial. No contexto das instituições sociais, José Aureliano foi um dos fundadores da primeira loja maçônica paraisense, a Estrella Sul de Minas, constituída por 46 membros, em tempos de fervorosas rivalidades com a Igreja Católica. Foi ainda o primeiro venerável da referida loja, sendo secretário da mesma João Antônio de Almeida. Essa loja maçônica, organizada em meados de 1872, cerca de seis meses após a instauração da sede do município, está entre as primeiras lojas maçônicas mineiras, assim como a de Passos, ambas fundadas apenas três anos após a de Ouro Preto. Além do mais, naquele momento estava ocorrendo uma grave crise entre o Império e a Igreja, conhecida como Questão Religiosa.

No contexto  da decadência do Império,  José Aureliano de Paiva Coutinho e os demais maçons paraisenses não se intimidaram em tomar firmes posições contrárias aos interesses da Igreja, naquele momento, detentora do poder regulador da religião oficial do Império. Os documentos que comprovam essa posição estão disponíveis no Boletim do Grande Oriente Unido, na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Devido a sua atuante participação nesse momento da história de São Sebastião do Paraíso,  José Aureliano recebeu homenagem, em memória, com a atribuição do seu nome a uma conhecida via pública da cidade.  
Luiz Carlos Pais
Enviado por Luiz Carlos Pais em 08/12/2020
Alterado em 07/08/2026
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